Mudança na coloração das águas do Tapajós continua sendo investigada. Principal suspeita é que a água tenha ficado turva devido a atividades garimpeiras.

Uma reunião articulada pelo Centro de Apoio Operacional Ambiental, Promotoria de Justiça do Meio Ambiente de Santarém, no oeste do Pará, e promotores de Justiça do Grupo de Trabalho (GT) Tapajós entre órgãos públicos, entidades ambientais e técnicos do Grupo de Apoio Técnico Interdisciplinar do Centro de Apoio Técnico tratou sobre os danos causados à Bacia do Tapajós.

Em meados do mês de janeiro as águas do rio Tapajós nas proximidades de Alter do Chão pode ser vista “barrenta”. A mudança da coloração das águas ainda não teve as causas esclarecidas. Foram reunidas diversas informações para a compreensão da situação, fator gerador do dano ambiental e da necessidade da atuação conjunta dos órgãos de fiscalização.

O encontro realizado no dia 1º de fevereiro aconteceu de forma híbrida com participantes presenciais na sede da promotoria de Santarém, e os demais por meio virtual. A reunião foi presidida pela promotora de Justiça Albely Lobato, coordenadora do CAO Ambiental e conduzida pela Promotora de Justiça, Lilian Braga, promotora de justiça ambiental de Santarém, que trouxe questionamentos aos técnicos e pesquisadores sobre a motivação da turbidez das águas do rio Tapajós.

Participaram da reunião os promotores de Justiça de Santarém Lilian Braga, Diego Santana, Tulio Novaes e Herena de Melo; os técnicos do GATI, engenheiro químico José Orlando Sena, bióloga Soraia Knez, engenheiro ambiental e sanitarista Thiago Matos e o geólogo Wilson de Oliveira, e representações da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semma), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (IcmBio), Universidade Federal Oeste do Pará (Ufopa), secretarias municipais de Meio Ambiente de Santarém, Jacareacanga e Belterra, Instituto Federal do Pará (IFPA) de Itaituba, Ministério Público Federal, Instituto Evandro Chagas, e o médico Eric Jenings, que atua na Secretaria Especial de Saúde Indígena.

De acordo com o ICMBio, desde o dia 14 de janeiro estão sendo realizados diagnósticos sobre as florestas e os impactos socioambientais causados aos ribeirinhos. Foi feito um sobrevoo para verificar o aumento da turbidez, identificação das possíveis causas e um reajuste no plano de trabalho de fiscalização, principalmente em relação a mineração. Foram disponibilizados documentos à promotoria, e um laudo em conjunto com a Polícia Federal deve ser entregue em breve.

Ações

A coordenação de fiscalização da Semas informou que realizaram vistoria na área em conjunto com a Ufopa, e que realizarão outra atividade nas próximas semanas. O Núcleo de monitoramento Hidrologia realizou vistoria em Alter do Chão, mobilizando a equipe para compilar os dados climatológicos, nível de rio e vazão e elaboraram uma nota técnica.

A secretaria de Meio Ambiente de Santarém esclareceu que se reuniu com Ibama e a Ufopa, além de coletar águas para estudo de balneabilidade da orla de Santarém. A secretaria ambiental de Jacareacanga informou que também está em busca de informações, pois a maior atividade do município é o garimpo. A representante de Belterra explicou que realizaram diligência junto aos ribeirinhos e solicitaram pesquisa das águas que banham o município.

O Instituto Evandro Chagas informou que esse é o primeiro sinal de saturação do rio Tapajós devido ao impacto sinérgico, que inclui os garimpos, assoreamento do leito do rio e desmatamento. Ocorre que algumas áreas garimpeiras acabam fazendo reservatórios, barragens ou lagos de sedimentação (pias), não, necessariamente, nas calhas do rio, que estouram trazendo grande quantidade de sedimentação, e outros problemas que ainda não são visíveis também podem ocorrer.

A Ufopa apresentou resultados do Grupo de Trabalho Águas do Rio Tapajós, com objetivo de reunir os esforços de pesquisas já realizadas e realizar novas pesquisas para identificar as causas da alteração da cor das águas do rio, com prazo de seis meses para a conclusão dos trabalhos e o estudo sobre o “Monitoramento de Mercúrio Total em Água e Sedimentos nos Baixos Cursos dos Rios Tapajós, Arapiuns, Amazônia, Pará”.

A representante do IFPA de Itaituba, Liz Pereira, ressaltou os diversos empreendimentos e atividades na bacia do Tapajós, como mineração, portos, captação de água e deposição de esgoto não tratado.

Em conclusão das atividades que envolvem a atuação do Centro de Apoio Operacional Ambiental, foi solicitada a participação dos técnicos do Grupo de Apoio Técnico Interdisciplinar do Centro de Apoio Técnico, para acompanhamento das ações e coleta das informações dos órgãos e entidades envolvidas nas fiscalizações, além de vistorias e auxílio aos órgãos de execução, para que possam protagonizar as ações a serem encampadas pelo MP como laudos, notas técnicas, vistorias e demais subsídios para a atuação integrada nas áreas atingidas e identificação dos responsáveis pelo dano ambiental produzido.

Resultados de pesquisa

O médico Erik Jennings apresentou a pesquisa “O que está por baixo das águas barrentas do Rio Tapajós”, em razão de sua atuação como médico neurologista que acompanha os indígenas. Na oportunidade também foram exibidas imagens comparativas de dezembro de 2021 e de janeiro de 2022, principalmente de Alter do Chão.

Também foi apresentado o monitoramento clínico e de laboratório relacionado aos níveis elevados de mercúrio dos indígenas da aldeia Munduruku.

De acordo com a pesquisa, há um desastre ambiental, sanitário e humanitário, pois pessoas estão perdendo as capacidades cognitivas, peixe e leite materno tornaram-se fonte de doença, há danos econômicos elevados, e perda da identidade de povos e do bem viver.

Fonte: g1 Santarém e Região – PA.

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